Para você saber, acordei pensando em você. E até dormindo, você estava comigo. Parece engraçado quando você me responde e, muda completamente o tom, usando aquele-meu-apelido-seu que faz todo meu coração te ler de forma diferente. Eu acredito que você ainda não entende, assim como eu, como que viemos parar aqui, depois de tanto tempo. Ainda não entendi por que toda essa confusão, tão costurada, nos persegue. Eu não me pergunto mais se você me ama, aprendi a me contentar mais com os gestos do que com as palavras. O problema é ter confiança nos gestos, o problema é interpretá-los de forma correta. Só porque eu te amo, e não sei esconder, possa pensar que você me ama. É um egoísmo total, já to sabendo. É que amar você tem me feito em feridas que por anos tenho, inutilmente, tentado sarar. E ai, com essa pomada que passo, vejo formar casca é preciso confessar, me da um desespero ver que criou casca. Eu mesma, rasgo de novo, só pra poder ver sangrar. Porque tão vermelho e tão bonito é te amar.
É estranho.
Mas logo que você voltou, demorei a rasgar essa casca de novo. Mesmo te amando, ainda consegui ser superficial com quem sempre fui intensa. E agora, depois de segurar tanto, não me contenho novamente e aonde que eu vou parar com isso, hein? Semanas que se passam, dias que se contam e mais um mês estamos aqui. Eu sonho de novo com nós dois em uma casa. É loucura, não é? Eu sei. Não me julga, não deixa ninguém saber. Agora eu acredito muito mais na gente. Logo agora. Eu sei o que você está pensando, estou ferrada. Os teus olhos não passam o despercebido dentro de mim, como sempre, como sempre, como sempre.
Cá estou eu de novo. Novos dias, noites claras, versos, cartas...
Vou encher de novo de todas as palavras as minhas lacunas. Eu sou um livro que você escreve, pensando que eu te escrevo.
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